Serviço de Pedopsiquiatria Pais e Cuidadores
Pais e Cuidadores
Em caso de intenção de seguimento no Serviço de Pedopsiquiatria, sugere-se articulação com Serviço para marcação de um atendimento com Enfermeira especialista, que afere a indicação para referenciação à consulta de Pedopsiquiatria.
A família é a primeira rede de apoio à criança, revelando-se fundamental no seu desenvolvimento futuro. Os cuidadores apresentam-se como figuras de referência, que vão dar significado ao sentir e ao comportamento das crianças. Podem ajudá-las a lidar com as próprias emoções ensinando-as a ter ferramentas para lidar com adversidades.
O ambiente familiar é o principal fator de influência na autoestima, é aqui que as crianças vão crescendo e formando a sua personalidade. Assim o que a sua família pensa dela é fundamental. Por isso, é recomendável que os pais recordem e valorizem as conquistas dos seus filhos.
A relação entre irmãos é muito influenciada pelas expectativas que a família tem acerca das características, competências e possibilidades de cada uma das crianças. Estas diferenças podem de alguma maneira estar relacionadas com as atitudes parentais, mas também com outros fatores como personalidade, género, diferenças de idade. No entanto, torna-se importante, perceber o que é que os pais poderão fazer para promover uma relação saudável e equitativa entre os irmãos: conhecer os seus filhos, explorando as suas qualidades nas várias áreas da vida, realizar atividades em família que permitam ir monitorizando as relações sociais entre eles, valorizar as conquistas adequadas às várias faixas etárias, promover a partilha dos espaços e dos objetos em casa, fornecer ferramentas de mediação de conflito, em vez de se imiscuírem nas discussões entre irmãos, não fazer comparações que diminuam um em detrimento do outro, promoverem situações em que os mais velhos cuidam dos mais novos, sempre reguladas e acompanhadas pelos pais.
A forma como os pais gerem as regras e os limites é assim essencial ao desenvolvimento da autonomia e crescimento da criança. Será esta a base para que, na vida adulta, a criança consiga lidar com as vicissitudes da vida e seja capaz de tentar gerir as emoções negativas procurando ativamente soluções para situações difíceis.
Dizer não é uma forma de colocar limites que constituem balizas essenciais ao crescimento saudável. São as experiências de frustração que permitem à criança aprender a gerir os seus afetos e a aceitar lidar com situações contrárias às que deseja.
Implicações de estilos educativos discrepantes entre cuidadores…
- Sensação de desorganização;
- Imprevisibilidade da reação das figuras parentais;
- Sentimentos de insegurança;
- Teste de limites.
... Ao invés de uma:
- Aquisição e integração progressiva das normativas da família;
- Aprender a respeitar opiniões divergentes;
- Aceitar a existência da possibilidade de não concordância entre cuidadores, desde que exista um respeito pelo já dito.
Evitar desvalorização mútua entre os cuidadores.
Se existem problemas sócio-familiares que cansam, esgotam ou perturbam as figuras parentais, estas estarão menos disponíveis para os filhos. Nestes casos, a criança rapidamente se apercebe que a melhor forma de obter a atenção das figuras parentais é fazendo asneiras ou agitando-se, como que a dizer “Estou aqui, olha para mim!”
Fatores que podem favorecer ou agravar estas situações:
- Não valorizar os bons comportamentos e criticar excessivamente;
- Não estabelecer claramente regras e limites e ser demasiado flexível ou inconsistente;
- Figuras Parentais sobrecarregadas e exaustas, sem apoio da família alargada;
- Ambiente familiar conflituoso, violento ou situações de rutura familiar.
É importante ouvir a criança, e respeitar o que pensa e sente, tal como é importante informar e instituir as regras e marcar os limites de forma clara e consistente.
A regra deve passar de uma imposição de uma autoridade para uma regra que tem uma função protetora. Existem questões que podem ser negociadas, e outras não.
- As regras devem ser consistentes e aplicadas a todos;
- Não introduza regras desnecessárias (permitir situações em que a criança possa fazer escolhas);
- Regras muito complicadas confundem as crianças;
- Estabeleça regras curtas e claras/específicas;
- Estabeleça regras de uma maneira positiva e educada;
- Esclarecer as consequências do comportamento e envolver a criança na procura de alternativas.
- A união faz a força, o diálogo entre o casal parental deve ser constante;
Numa situação de descontrolo por parte do Cuidador:
- Sair por momentos de perto da criança e partilhar com ela a necessidade de se acalmarem (tente pensar o que gostaria de ensinar, em termos de reação, quando estas se zangam com alguma coisa);
- Controlar as suas reações e tentar perceber a origem dos conflitos (não permitir que a raiva o controle e resolver isto com calma; tente colocar-se no lugar da criança e no que ela precisa para se acalmar);
- Posteriormente falar do conflito e como, de futuro, poderiam resolver a situação.
Não marque os limites em função do seu estado de espírito – seja consistente.
Explique o sentido do limite – seja claro. Este sentido pode estar associado à segurança e/ou respeito.
Deixe claro quais as consequências caso não seja respeitado o limite.
Utilize a sua autoridade com afeto. Seja firme. Para ser firme não é necessário ser agressivo ou excessivo.
Independentemente dos acontecimentos do dia-a-dia as consequências não podem interferir ou quebrar rotinas estabelecidas, como a rotina de sono e de alimentação.
A prevenção é de longe a intervenção mais eficaz.
- Mais do que dar conselhos, dê o exemplo;
- Seja previsível ao nível das atitudes;
- Estabeleça regras claras e defina com ele/ela as consequências da quebra das regras combinadas e cumpra-as;
- Estimule a criança a pensar e falar o que sente em alternativa a descarregar o seu mau estar através do comportamento.
As birras são um aspeto normal da infância. São manifestações saudáveis da criança.
Acontecem porque numa fase do desenvolvimento, as crianças não têm as competências verbais para comunicar da melhor forma as suas emoções, receios, sentimentos e medos. Ainda não sabem expressar-se adequadamente como crianças que são, e apenas sabem que querem satisfazer rapidamente uma necessidade.
As birras surgem também para o adulto perceber que a criança precisa de regras, ou de negociação em algumas áreas.
O que podemos fazer para lidar com as birras?
- Evitar ficar nervoso(a);
- Evitar envergonhá-las, comparando-as;
- Evitar agarrá-las pela força.
Pelo contrário, aquilo que pode ajudar…
- Empatizar com elas, mostrar-lhes que percebemos o que sentem;
- Dar afeto, abraçá-las;
- Ajudá-las a serem flexíveis, oferecendo-lhes uma alternativa (por exemplo: adiar aquele ato para outro dia).
As rotinas são estruturantes para uma criança;
Ajudam a sentir-se segura:
- Importante ter rotinas nos horários e antecipar quebras de rotina
- Criar rituais do sono (ex.: história, embalo…)
A consistência de horários e atividades fazem com a criança desenvolva sentimentos de segurança e autodisciplina, fazendo, por consequência, que se sinta mais segura e confortável.
As inseguranças sentidas pela criança consistem num estado emocional desencadeado pela perceção da sua vulnerabilidade ou incapacidade perante uma situação ameaçadora ou alarmante; a criança vai considerar que as suas habilidades ou recursos não são suficientes para lidar com as exigências da situação, não se sentindo capaz de as gerir.
A brincadeira e o cuidado, associados à interação e ao vínculo, são essenciais para o pleno desenvolvimento na primeira infância. Eles são tão importantes quanto alimentar-se, tomar banho e dormir. Devem fazer parte da rotina da criança.
Importa referir que o brincar e o jogar não se limitam a formas de divertimento e prazer para a criança. São meios privilegiados para esta expressar os seus sentimentos e aprender.
É por intermédio do brincar, das atividades lúdicas (ler histórias, desenhar, pintar) que a criança se relaciona com o mundo e estabelece os laços afetivos. As relações que se estabelecem no brincar são tao importantes quanto os outros cuidados que os pais/cuidadores tem no dia-a-dia com as crianças.
A brincadeira é o modo de expressão da criança do mundo das relações e dos papéis dos adultos, A criança, atua, mesmo que simbolicamente, nas diferentes situações vividas.
É através do brincar que a criança permite que o seu mundo imaginário se cruze com o seu mundo real, e esta realidade externa permite-lhe desenvolver competências para aprender a estar em família, a lidar com as suas frustrações, a imitar o outro e a amadurecer no seu desenvolvimento social.
O brincar também permite que a criança crie um distanciamento em relação ao que a faz sofrer. A criança pode momentaneamente esquecer situações limite às quais está exposta (doenças na família, separações etc.) e o brincar possibilita-lhe explorar, reviver e elaborar situações que muitas vezes são difíceis de enfrentar.
O brincar é uma forma segura da criança exprimir as suas emoções e tentar elaborar os seus medos, a sua agressividade e as suas angústias. O brincar permite que as crianças criem e explorem um mundo que elas podem dominar, enfrentando os seus medos, às vezes em conjunto com outras crianças ou adultos cuidadores.
Nenhuma criança irá desenvolver todo o seu potencial se a brincadeira não fizer parte da sua vida.
O brincar estimula a:
- Fantasia
- Imaginação
- Curiosidade
- Atenção
- Memoria
- Autoconfiança e autonomia
- Capacidade de partilhar objetos
- Compreensão da importância das regras
- Criação de laços afetivos e o reforço dos pré-estabelecidos
- Partilha
- Comunicação
- Auto estima
- Noção de respeito por si e pelo outro
Os pais/cuidadores desempenham um papel fundamental na criação de um ambiente que estimule a imaginação infantil e as brincadeiras.
