Contacto Geral 263 006 500

REGRESSO ÀS AULAS: “QUE DOR DE CABEÇA”

 

Vanda Mesquita - Psicóloga infantil e juvenil

Serviço de Pediatria

outubro 2012

 

 

 

O regresso às aulas representa para todas as famílias uma profunda mudança de rotinas, um surgir de preocupações e, em casos extremos, a emergência de um afeto camuflado por conflitos diários que colocam em causa o que de melhor há no mundo: a relação única entre pais e filhos. Para uma grande parte das crianças trata-se apenas de dar continuidade a um processo que evoluí à medida de expectativas realistas. Para outras, a transição é vivida com grande ansiedade, ou porque ficaram sem os amigos especiais, ou porque o professor preferido não foi colocado, ou ainda porque os pais querem mais, querem sempre mais do que aquilo que a criança está disponível para dar.

Note-se que ainda bem pequenas, já têm de dar provas de que são as melhores e ouvem frases como “a tua irmã é mais esperta do que tu”; “ a Maria teve melhor nota do que tu”; “só satisfaz bem, para a próxima queremos um excelente”; em vez de “muito bem, estamos muito felizes contigo” ou “tranquiliza, para a próxima vai correr melhor com toda a certeza”.

Cuidado pais, cada criança é um ser único e especial, com dificuldades e potencialidades que, quando desvalorizadas, poderão nunca vir a ser convenientemente exploradas. Deste modo de pressão advêm estados de grande ansiedade, muitas das vezes “externalizados” através do corpo, como é o caso das enxaquecas, das dores abdominais, das náuseas, dos vómitos e das diarreias, que surgem como uma forma das crianças dizerem aos pais “deixem-me crescer, o que faço por mim hoje, para mim será no futuro”.

Como tal, o início do ano escolar deve ser sentido como uma nova oportunidade, um desafio a ser vivido com a harmonia que requer qualquer processo de mudança, que embora feita de obstáculos, amadurece, responsabiliza e alicerça objetivos de vida. É necessário sentir a escola como uma oportunidade de cada criança ser o que consegue ser, de dar o que consegue dar, representando um espaço de excelência para a aquisição de autonomia e para o desenvolvimento pessoal, social e intelectual.

“O meu filho não é o melhor aluno da turma, mas é o melhor filho do mundo”