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REFLEXÕES SOBRE AS FÉRIAS - DR. MÁRIO PAIVA

 

 Dr. Mário Paiva

 Diretor do Serviço de Pediatria do Hospital Vila Franca de Xira

 julho de 2014

 

 

 

 

“Férias” é uma palavra mágica que nos leva a um tempo liberdade de horários e obrigações laborais permitindo repousar o corpo e a mente, não deixando nós de ser Pais, Avós e Educadores e “eles” de ser os pequenos traquinas que aprendem connosco.

Libertos de outras obrigações, encaremos este hiato temporal como uma oportunidade de estar ainda mais em Família, melhorando a qualidade do nosso “estar”. Independente do local das férias e das dificuldades existentes no momento, façamos com que esses dias fiquem na nossa memória familiar, organizando o “tempo” de modo a haver um espaço comum de actividade, de reflexão/troca de impressões respeitando simultaneamente o espaço pessoal.

As refeições são um momento privilegiado para dialogar e combinar o dia, para além de despertar o senso critico dos acontecimentos do dia a dia.

A própria preparação das refeições pode ser um momento pensado e confeccionado entre todos (tenha em mente que a cozinha é um local propício a acidentes). Pode constituir uma oportunidade para reaprender os números, a matemática da vida, suscitar um despique saudável com a imaginação dos pratos, a sua apresentação (um despertar para as cores, a arte, para a cozinha, quem sabe?), sendo o “levantar” uma tarefa colectiva.

Na alimentação é importante que as refeições sejam sadias (como em todo o ano), pequenas e acompanhadas de água (ou, em substituição, de um copo de sumo natural cuja elaboração pode constituir uma brincadeira).

Na época balnear respeite sempre o período de digestão (e as bandeiras), esperando pelo menos hora e meia até permitir a ida ao banho, regra que deve ser estendida a todos.

Chegámos a um outro conceito importante: a antecipação. Inspecione a área, imaginando sempre o pior dos cenários relativo a acidentes. Dependendo da maturação das crianças, a antecipação pode evitar situações de acidente.

Nesta lógica, verifique o cinto de segurança do transporte e respeite as normas de transporte rodoviário de crianças.

O Verão é pródigo em afogamentos (mar, rio, piscinas, estas grandes ou pequenas, banheira ou outros). É importante reter que a criança pequena se afoga silenciosamente e em quantidade mínima de água! Use os flutuadores apropriados, estabeleça regras e recrute todos os olhos na sua vigilância!

Para as actividades sobre rodas, não esqueça os capacetes e protecções quer dos cotovelos quer dos joelhos. O investimento nestas medidas é, para além do óbvio, um acto de educação para a Vida.

Em relação aos mais pequenos, ajoelhe-se e veja o mundo do tamanho deles e imagine o que é puxar pela mesa, pelo fio, pela pega da frigideira, o olhar pela janela ou varanda ou no primeiro lance da escada e antecipe!

E o Sol!

Nas actividades (em família, reforço), e preferencialmente realizadas no exterior, há que ter em conta o astro rei e evitar exposição exagerada: guarde dois a três dias para se expor de forma gradual ao sol (seja no campo seja na praia) e não exponha as crianças entre as 11h30 e as 17h00; Antes de sair de casa não esqueça de colocar o protector solar, que deve variar entre o ecrã total e grau de 50, cuja aplicação deve ser repetida conforme o produto;

Vista-lhes roupas confortáveis, nem largas nem apertadas, de algodão e de cores claras (ou de linho mas nunca de fibra);

As crianças até aos seis meses não devem ir à praia.

Sempre que se deslocar com crianças, tenha um local fresco (mala térmica, por exemplo) com um termómetro, supositório para a febre e água, conservando a temperatura um pouco mais fresca que a ambiente.

No exterior procure uma sombra para os momentos de descanso, lembrando que os raios reflectem e mesmo aí estão sempre expostos, assim como em dias nublados, à radiação solar.

Finalmente lave as mãos frequentemente servindo de modelo aos mais pequenos.

Votos de Boas Férias.