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A RETINOPATIA DIABÉTICA - DR. MIGUEL AMARO

 
 

 Dr. Miguel Amaro

 Diretor do Serviço de Oftalmologia do Hospital Vila Franca de Xira

 junho 2014

 

 

 

No Serviço de Oftalmologia do Hospital Vila Franca de Xira, temos um Departamento de Retina completamente equipado para lidar com todas as enfermidades que afectam esta estrutura do olho Humano.  Dentro destas, há que destacar a Retinopatia Diabética (RD), muito frequente na área de influência do nosso Hospital.

A RD é uma das principais causas de cegueira evitável do mundo desenvolvido, entre os 20 e  os 64 anos. Todos os doentes diabéticos podem desenvolver esta doença ocular passados alguns anos, sobretudo os que têm um mau controlo.

A prevalência elevada da Diabetes Mellitus tipo 2 (90  a 95 %) leva a que a Retinopatia seja mais frequentemente diagnosticada em associação com este tipo de diabetes, não obstante, a doença ocular nos diabéticos tipo 1 ter uma maior gravidade.

Se compararmos o olho uma “máquina fotográfica” , poderemos dizer que o tecido afectado na retinopatia diabética é o rolo da máquina – neste caso a retina. Por muito boas que sejam as lentes, se o rolo não estiver nas devidas condições, a imagem fica muito alterada.

A retina é um tecido muito dependente de oxigénio, sendo por isso abastecida por uma circulação sanguínea muito rica. Nos doentes diabéticos, os pequenos vasos responsáveis por esta riqueza vão sendo obliterados, privando este tecido nobre do seu nutriente mais importante – oxigénio.

O tecido em sofrimento responde de um modo desadequado a esta privação,  dando origem a alterações, que muitas vezes só originam sintomas em estadios muito avançados. Normalmente os dois olhos são afectados. A baixa de visão não  é o único sintoma sendo muito habitual outros sintomas tais como visão enevoada, moscas volantes, flashes  e perda súbita de visão.

Como uma retinopatia grave pode surgir de modo silencioso sem afectar a visão, recomenda-se uma vigilância anual, realizado por um Oftalmologista, com realce para a fundoscopia. Habitualmente, numa população de dimensão elevada como a nossa, o principal método de vigilância é o Rastreio com Retinografia.

Para evitar a RD é essencial um bom controlo da diabetes desde o seu inicio, sendo o valor analítico da HbA1c o mais importante nesta avaliação,  pois dá-nos uma medida dos valores  da glicemia dos últimos 3 meses.

A prevenção da RD é o maior investimento que cada diabético poderá fazer na saúde dos seus olhos ao reduzir, a longo prazo, o risco de perda da visão, dado que a perda da qualidade de vida, do Indivíduo e da família, relacionada com a baixa da visão que RD provoca, é muito acentuada.

Tal como referido anteriormente, e para dar resposta a todas as solicitações, o Departamento de Retina, procurou adaptar-se desde logo a esta demanda elevada, apetrechando-se com equipamento de diagnóstico de última geração (Tomografia de Coerência Óptica de alta definição, Angiógrafo Digital, Retinógrafo Digital, Ecografia e Ultrabiomicroscopia).

Todos os pedidos de consulta provenientes dos Centros de Saúde, associados a pacientes diabéticos, são canalizados para um rastreio. Os pacientes a quem são detectados sinais de  RD,  são encaminhados para uma consulta especializada de Retina, para estadiamento e eventual tratamento. Para tal temos ao nosso dispor todos os fármacos de última geração, autorizados para uso pelo INFARMED,  um LASER único em Portugal (PASCAL), e equipamento cirúrgico para cirurgia minimamente invasiva que cobre todo o espectro da doença ocular diabética.

No último ano realizaram-se 15800 consultas, sendo que 2064 foram dedicadas a este problema. Foram submetidos a intervenção cirúrgica 3080 pacientes, e 640 foram associadas ao tratamento desta patologia.