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SURTO DE GRIPE - DR. JOSÉ BARATA

 
Jose Barata_0.jpgDr. José Barata

Diretor de Serviço de Medicina Interna

janeiro 2015

 

 

 

A gripe sazonal  constitui a infeção viral mais prevalente no período que  se estende entre  o fim do Outono e o início da Primavera, manifestando-se sob a forma de epidemia  que tende a a fetar cerca de 10% da população. Estas epidemias  podem  ter  vários picos, e apresentam caráter variável  em  duração, intensidade e agressividade .

Atravessamos neste momento um surto de elevada magnitude, que associado às temperaturas invulgarmente baixas, mesmo para esta época do ano, tem provocado uma intensa procura dos serviços de urgência hospitalares.

O vírus da gripe transmite-se  através de gotículas de saliva que são projetadas para o ambiente pela  tosse e pelos  espirros , mas também por contacto direto com a pessoa infetada,  através das mãos.
No adulto  , a gripe manifesta-se  habitualmente  por  febre alta, mal-estar geral,  calafrios, dores de cabeça, dor de garganta, dores musculares e articulares, tosse seca e  congestão nasal. Na criança este quadro pode acompanhar-se  ainda de sintomalogia gastrointestinal como náuseas, vómitos, diarreia e dor abdominal.

Na maioria das pessoas, a infeção tem um curso autolimitado e de curta duração, evoluindo naturalmente para a cura. Nos idosos ou em portadores de doenças crónicas, principalmente do foro respiratório, pode evoluir com algumas complicações, principalmente pneumonias,  com necessidade de internamento.

A vacinação anual  é a medida mais eficaz para reduzir o impacto das epidemias de gripe . Esta deve ser administrada à população  com idade igual ou superior a 65 anos,  e independentemente do grupo etário,  às pessoas  residentes em lares de idosos, doentes integrados na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados,  crianças e adolescentes residentes em instituições, que apresentem doenças crónicas, pessoas com deficiência institucionalizadas e  doentes em hemodiálise crónica.

Em caso de doença, a pessoa infetada deve evitar a projeção goticulas de saliva,  quando tosse ou espirra,  protegendo a boca e o nariz  com a mão ou com um lenço, de modo a minizar o contágio de terceiros. Convém  lembar que as  particulares salivares podem atingir um metro de distância durante o ato de tossir ou espirrar.

A lavagem frequente das mãos é igualmente importante para prevenir a  transmissão da doença.

Os idosos, especialmente vulneráveis à infeção gripal, devem adotar medidas de proteção adequadas  contra as baixas temperaturas,  devendo  sair à rua apenas quando estritamento necessário, e usar roupas adequadas ao ambiente em que estão inseridos.

O espaço habitacional  deve estar confortável sob o ponto de vista térmico não podendo, contudo,  ser descurados os cuidados  com  os sistemas  de aquecimento que produzem monóxido de carbono, como lareiras e  braseiras, que podem ser fatalmente tóxicos quando usados em áreas confinadas ou mal arejadas.

Os aglomerados humanos constituem um meio especialmente favorável à propagação do virus da gripe, pelo que devem  evitados em períodos de epidemia gripal.

As salas de espera de  serviços de saúde, pela elevada concentração de pessoas, algumas delas infetadas, constitui um local de risco para  contrair o virus da gripe. Por estas razões, o recurso aos serviços de urgência hospitalares deve ser ponderado e reservado a situações que apresentem uma expressão clínica significativa ou uma evolução mais arrastada.