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O ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC) – COMO PREVENIR , COMO TRATAR

 
 

Dr. José Barata

Diretor do Serviço de Medicina

agosto 2012

 

 

 

 

 

 

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O AVC é uma das principais causas de morte e de invalidez em todo o mundo. Em Portugal, constitui a primeira causa de morte e de incapacidade, com taxas de mortalidade que rondam os 160 por 100 mil habitantes por ano, o que corresponde ao dobro da média europeia. Torna-se, portanto, fundamental que os portugueses estejam despertos para a doença, e que conheçam os seus fatores de risco e os seus sinais de alerta. Sendo uma doença eletivamente relacionada com o envelhecimento, o AVC não é exclusivo dos idosos, podendo ocorrer em qualquer idade, desde que os fatores de risco estejam presentes. Apesar da elevada mortalidade que lhe está associada, o AVC pode ser prevenido e tratado.

Na perspetiva preventiva, há que conhecer e corrigir os principais fatores de risco, especialmente a hipertensão arterial, a diabetes, algumas formas de arritmia cardíaca (fibrilação auricular), o colesterol elevado, o consumo de tabaco e a vida sedentária . A adoção de hábitos de vida saudável e a adesão à terapêutica dirigida à correção dos fatores de risco enumerados , constituem duas medidas de grande impacto na prevenção o AVC. O reconhecimento precoce dos sinais de alerta constitui uma mais valia fundamental para que a pessoa afetada possa recorrer rapidamente aos cuidados de saúde.

É importante ter em conta que algumas das medidas terapêuticas hoje disponíveis e de elevada eficácia só podem ser instituídas se o doente chegar ao hospital cerca de 3 horas após o inicio dos sintomas. A perda ou diminuição da força num braço ou numa perna, desvios da face, dificuldade em articular palavras ou alterações do estado de consciência constituem sintomas que não podem ser minimizados, e que devem levar a pessoa afetada a procurar cuidados médicos com a maior brevidade possível. A chegada atempada ao hospital permite que sejam administradas as terapêuticas mais eficazes, e contribui para que a extensão das lesões cerebrais seja minimizada. Perante a manifestação de qualquer um dos sinais de alerta já mencionados deve-se partir sempre do principio de que se está a sofrer um AVC e acionar o Número Nacional de Socorro (112). Será, neste caso, desencadeada a “Via Verde do AVC” e a pessoa terá um atendimento prioritário no hospital , onde lhe serão aplicadas as medidas diagnósticas adequadas (análises, Tomografia Axial Computorizada) e instituída as terapêutica mais indicada. Infelizmente nem todos os casos de AVC podem ter a mesma abordagem terapêutica, nem todos as situações apresentam o mesmo potencial de recuperação.

Os tratamentos mais eficazes resultam apenas nos acidentes vasculares cerebrais devidos à obstrução (entupimento) de uma artéria (tromboses), não sendo aplicáveis nos acidentes hemorrágicos provocados pela rotura da parede de uma artéria, com derramamento de sangue em qualquer local do sistema nervoso central. De qualquer forma, até haver um diagnóstico adequado, e uma vez que a generalidade dos sintomas é sobreponível nos dois tipos, é importante procurar ajuda sempre que surja algum dos sintomas de alerta identificados.

Os efeitos do AVC vão depender da parte do sistema nervoso central afetada, da extensão da lesão, do estado geral de saúde e da possibilidade imediata de tratamento. Chegar tarde ao hospital pode impedir uma terapêutica eficaz e comprometer irreversivelmente o prognóstico da doença. Mesmo para os casos em que a terapêutica não foi eficaz e nos quais permaneça algum grau de incapacidade, está hoje disponível um amplo conjunto de medidas de reabilitação, tanto a nível motor como da fala, que contribuem de forma muito eficaz para melhorar a qualidade de vida do doente. A educação da população para o reconhecimento dos sinais de alerta de AVC é uma necessidade prioritária no no nosso país, no sentido de diminuir as elevadissimas taxas de incidência e a alta mortalidade que a doença representa ente nós.