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LENTES DE CONTACTO: CUIDADOS A TER, PARA QUE A SOLUÇÃO NÃO SE TRANSFORME NA DOENÇA

 

Dr. Miguel Amaro

Diretor do Serviço de Oftalmologia

setembro 2015

 

 

 

A utilização de lentes de contacto encontra-se generalizado na população com grandes erros refrativos e cada vez mais naqueles, que embora não sejam dependentes de óculos, preferem prescindir do seu uso a favor da lente de contacto. E se, a lente de contacto é ideal para grandes correções e algumas doenças da córnea, o seu uso generalizado nas pequenas graduações tem levado a cada vez maior número de complicações no seu uso, sobretudo pela utilização e prescrições indevidas.

Convém relembrar que a lente de contacto não deixa de ser uma prótese (por muito bom e confortável que seja o material) que altera todo o metabolismo e equilíbrio da superfície do olho. Na sua primeira colocação e na manutenção periódica recomenda-se vivamente a consultoria por parte de um médico oftalmologista, único profissional com formação científica ao nível da óptica, química, imunologia e infecciologia ocular, que pode avaliar se existem ou não condições para a utilização segura das lentes de contacto. A sua utilização é sempre contraindicada no olho seco, na atopia e pacientes com fundo alérgico, nas doenças imunológicas e infecciosas de compromisso geral.

Costumo dizer aos meus pacientes, que não podemos querer evitar a utilização de óculos por motivos estéticos, a todo o custo. A córnea não é um vidro de relógio que se possa substituir numa relojoaria. As complicações, que têm sido cada vez mais frequentes, são na generalidade muito graves.

Após a exclusão destas contraindicações para o seu uso, podemos optar entre Lentes de contacto hidrófilas diárias, quinzenais ou mensais. Hoje em dia as lentes de porte anual e as semirrígidas são só prescritas em situações muito específicas, dada a sua menor tolerabilidade e o seu maior risco para complicações a nível da superfície do olho.  

Os principais laboratórios colocam-nos à disposição lentes que permitem correções para quase todas as situações de miopia, hipermetropia e astigmatismo. As grandes miopias são aquelas que maior benefício retiram do uso de lentes de contacto, pois para além do efeito inestético dos óculos, a utilização de lentes encostadas ao olho permite uma melhor acuidade visual em termos quantitativos e qualitativos, com realce para este último aspeto. Embora também seja possível corrigir grandes astigmatismos, a qualidade de visão só permanece estável até um valor limitado (cerca de 2,5 e 3 dioptrias), a partir do qual normalmente se tem de optar por lentes semirrígidas, mais desconfortáveis e sem garantia da melhor qualidade visual.

Não existindo uma idade mínima para o seu uso, normalmente só se recomenda a sua prescrição acima dos 14 anos. As exceções são grandes miopias, diferença elevada de correção entre os dois olhos ou então situações em que se pratique desporto de alta competição envolvendo contacto físico.

Os cuidados recomendados na sua utilização são sobretudo aqueles que o bom senso determina: boa higiene, cumprimento dos prazos do material e numa situação de intolerância ou de olho vermelho a suspensão do seu uso. É sempre aconselhável o uso de lubrificante ocular. Não se deve utilizar soro fisiológico para lavagem e para lubrificação. As lentes de contacto são muito seguras, desde que se cumpram estes requisitos mínimos.

É neste campo das “boas maneiras” de utilização que a maioria dos portadores se desmazela, colocando a sua saúde ocular em risco. Constato que, na sua maioria, estes problemas acontecem por haver nas superfícies comerciais onde se vendem as lentes, uma mensagem de facilidade e de ausência de risco.

A boa higiene é frequentemente esquecida à medida que os anos de utilização aumentam, os prazos do material são vulgarmente ampliados (por questões económicas e facilitismo) e não é raro surgirem de urgência na consulta pacientes com olho muito vermelho, secreção purulenta e lente de contacto colocada.

As lentes de contacto são uma ótima opção para quem não quer usar óculos durante o dia, para correção de grandes graduações, para a prática de desporto e para tratamento de alguns problemas oculares. Para que o seu uso seja seguro e garantido por muitos anos devem ser cumpridas todas as regras de utilização, devendo o tipo de porte ser adaptado caso a caso. Quando há contraindicações para o seu uso, o paciente deve perceber que os meios não justificam os riscos que corre com a sua utilização.